Febre Amarela

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Microorganismo: vírus amarílico.


Microbiologia: arbovírus do gênero Flavivírus, família, Flaviviridae. É um RNA vírus, apresentando apenas um sorotipo.


Reservatório: mosquitos da espécie Haemagogus janthinomys (Brasil) e Sabethes spp. são os vetores/reservatórios da febre amarela silvestre. Os hospedeiros naturais são os primatas não humanos (bugio, macaco-prego, macaco-aranha, entre outros), sendo o homem um hospedeiro acidental no cilco da doença. Na Febre Amarela urbana, o vetor e reservatório natural é o mosquito Aedes aegypti, sendo o homem o único hospedeiro.


Modo de transmissão: através da picada da fêmea do mosquito infectado em indivíduos suscetíveis que adentram áreas endêmicas.


Período de incubação: 3 a 6 dias após a picada do inseto.  O sangue do paciente infectado pode ser fonte de infecção durante o período de viremia, que inicia 24 a 48 horas antes do início dos sintomas, até 3 a 5 dias depois.


Doença(s) que causa: Febre Amarela.


Epidemiologia: a doença é endêmica em áreas da África Sub Saariana e regiões tropicais da América do Sul. O aparecimento de casos em humanos usualmente é precedido por epizootias em primatas não humanos, justificando a investigação epidemiológica de óbitos de primatas em áreas endêmicas e indenes com risco potencial. O homem adquire a infecção quando entra em contato com áreas de mata, mais comumente relacionado com atividades de garimpo, caça, desmatamento ou ecoturismo; por esse motivo, a doença é mais comumente diagnosticada em homens adultos jovens. A grande preocupação em relação à febre amarela é a possibilidade de urbanização do ciclo da doença, visto que a transmissão também pode ocorrer pelo mosquito Aedes aegypti, se tornando o homem o único reservatório. A última descrição de ocorrência de ciclo urbano de febre amarela no Brasil foi em 1942.


Quadro clínico: A infecção é assintomática em 5 a 50% das vezes. Os sintomas podem variar desde uma síndrome gripal até febre hemorrágica com mortalidade de 50% nos casos graves. O quadro inicial é inespecífico, com febre, cefaleia, mialgia que duram em média 3 dias. Nesta fase pode ocorrer bradicardia associado a febre alta (sinal de Faget). Pode evoluir com melhora ou com recidiva dos sintomas, de forma mais intensa, incluindo náuseas, vômitos, dor abdominal, prostração, icterícia e fenômenos hemorrágicos (petéquias, púrpura e hemorragia digestiva alta ou baixa). Exames laboratoriais podem demonstrar leucopenia, colestase, aumento de transaminases (geralmente AST>ALT) e alteração da função renal. Casos mais graves cursam com hipotensão e choque, acidose metabólica, disfunção cardíaca e necrose tubular aguda. Sintomas neurológicos (confusão mental, crises convulsivas, coma) e hiperproteinorraquia ocorrem quando há encefalopatia ou edema cerebral.


Complicações: hepatite fulminante, fenômenos hemorrágicos, choque, disfunção de múltiplos órgãos e sistemas e morte.


Diagnóstico: É clínico, epidemiológico e laboratorial. No período inicial de viremia pode se fazer isolamento viral a partir do sangue ou tecido e pesquisa de antígeno em tecido através de imunofluorescência ou imunoperoxidase. Sorologia é feito por vários métodos (captura de IgM por MAC-ELISA, inibição da hemaglutinação, fixação de complemento e neutralização). À exceção da pesquisa de IgM, esses métodos necessitam de 2 amostras com intervalo de coleta de 14 a 21 dias  para confirmar o aumento dos títulos em 4 vezes. É possível realização de técnicas de biologia molecular para detecção de antígenos virais ou ácido nucléico por PCR, imunofluorescência, imunohistoquímica e hibridização in situ.


Tratamento: Não há tratamento específico. Casos graves necessitam de internação. O suporte clínico é feito com reposição de fluidos, O2, drogas vasoativas e reposição de hemoderivados quando necessário. Evitar drogas de metabolização hepática.

 


Vigilância epidemiológica: Objetiva reduzir a incidência da doença silvestre, impedir a transmissão urbana e detectar precocemente a circulação viral através de investigação de caso suspeito ou confirmado, epizootias ou comprovação de circulação viral em vetores para adoção de medidas de controle. É doença de notificação compulsória e de investigação epidemiológica obrigatória de todos os casos.


Medidas de controle: Vacinação é a medida de controle mais importante. Tem cobertura de 95% e confere imunidade por pelo menos 10 anos (possivelmente para toda a vida). É feito nas áreas endêmicas, de transição ou de risco potencial a partir dos 9 meses com reforço a cada 10 anos. As pessoas que se deslocarem para essas áreas devem receber vacinação por pelo menos 10 dias antes da viagem. Além disso é feito vigilância sanitária de portos, aeroportos e passagens de fronteira, com exigência do Certificado Internacional de Vacinação e Profilaxia para viajantes internacionais procedentes de áreas endêmicas que apresentem risco de disseminação internacional.


Bibliografia:

 

  1. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância Epidemiológica.
  2. Doenças infecciosas e parasitárias : guia de bolso / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância Epidemiológica. – 8. ed. rev. – Brasília : Ministério da Saúde, 2010.
  3. Mandell, Douglas, and Benett´s Principles and practice of Infectious Disease, 7th edition, 201º. Churchill Livingstone – Elsevier.

 


Colaboradores: Bernardo Montesanti Machado de Almeida e Giovanni Luís Breda


Fotos: CDC

 

 


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