Protozoários Intestinais não patogênicos (amebas)

Protozoários Intestinais não patogênicos (amebas)

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Chilomastix mesnili

Trata-se de um flagelado encontrado com freqüência variável em exames de fezes. Tem corpo piriforme, irregular, medindo de 10 a 20 mm de comprimento; apresenta núcleo pequeno, próximo ao pólo anterior da célula, além de 4 flagelos. Reproduz-se por divisão binária e tem por habitat preferencial o cólon, sobretudo próximo do ceco. Assim como a Giardia, Chilomastix mesnili é um protozoário flagelado e seus cistos medem entre 6 a 10 mm.


 

Dientamoeba fragilis

 

Embora este parasito seja considerado como ameba por muitos, apresenta características que lembram o grupo dos flagelados. Não apresenta o estágio de cisto, sendo binucleado. Vive no intestino grosso, sendo raramente descrito fagocitando hemáceas. Ocasionalmente pode ser mononucleado, ou com até 4 núcleos, embora esteja presente em mais de 80% da vezes como um protozoário binucleado. Apresenta dimensões entre 3 a 18 mm de comprimento. Diferente de outros comensais, algumas vezes atribui-se sintomas e sinais a este protozoário. Acredita-se que entre 15 a 20% dos casos de portadores de D. fragilis, apresentam sintomas que estão relacionados com a sua presença. Ente estes sintomas e sinais, destacam-se a diarréia, dor abdominal, fezes amolecidas mucóides ou até mesmo hemorrágicas, flatulência, fraqueza e fadiga, náusea com vômitos e emagrecimento. A transmissão deste parasito ainda é discutível, mas pode estar relacionada com a transmissão de outros parasitos intestinais, como ovos de nematodas (Enterobius vermicularis, por exemplo) ou transmissão direta entre homens, como descrito em homens que tem relação com outros homens conforme descrito em estudo de coorte. O tratamento dos casos sintomáticos pode ser feito tetraciclina 250 mg 4 vezes ao dia por 7 dias.


 

Endolimax nana

Trata-se de protozoário presente na luz intestinal de porcos, primatas e seres humanos, causando confusão, algumas vezes, com E. histolytica. Apresentam-se sob a forma de trofozoítos e cistos pequenos (6 a 15mm e 8 a 10mm, respectivamente). Inclusive, este protozoário é menor que a E. histolytica, lembrando muito E. hartmanni. Além disso, este parasito pode ser confundido algumas vezes com Giardia, quando se utiliza a coloração de sulfato de zinco.


 

 

Entamoeba coli

 

Não são patogênicos e devem ser diferenciados de Entamoeba histolytica, o que é feito levando-se em consideração as dimensões de cistos (15 a 22 mm) e trofozoítos (20 a 30 mm). A presença de hemácias em vacúolos digestivos dessas amebas é rara e a verificação dessa condição deve fazer suspeitar de infecção por E. histolytica. Não é incomum o emprego de tratamentos para amebíase em pacientes que foram erroneamente diagnósticos como portadores de Entamoeba histolytica e com sintomas gastrintestinais.


 

Entamoeba gingivalis

 

Esta ameba é encontrada na boca, geralmente entre a gengiva e os dentes, assim como nas criptas amidalianas. Entamoeba gingivalis também pode ser encontrada em exames de escarro e lavado broncoalveolar, sendo importante o seu reconhecimento antes de atribuir abscessos pulmonares à Entamoeba histolytica. Nestas situações é importante a correta identificação da espécie de ameba, pelo risco de tratamento incorreto levando a morte do paciente, conforme já descrito na literatura. Já foram descritos também casos de doença inflamatória pélvica e a presença desta ameba, principalmente em casos de utilização de dispositivos intrauterinos. Associa-se a presença desta ameba no local pela transmissão orogenital.


 

Entamoeba hartmanni

 

Possuem cistos pequenos, menores de 10mm em diâmetro e é essa característica que permite diferenciá-la de E. histolytica. Não possui papel patogênico. Anteriormente este comensal era referido como “Small race” E. histolytica. Inclusive, estudos sorológicos também demonstram diferenças entre estas duas amebas, maiores diferenças que cepas de E. histolytica menos patogênicas. Considerando os achados descritos até então, a maioria dos pesquisadores não considera correto o emprego de tratamentos que é encontrado E. hartmanni num exame parasitológico.


 

Entamoeba polecki

 

Este agente foi inicialmente descrito como parasito intestinal de porcos e macacos, mas é atualmente também é descrito como comensal intestinal humano. Em algumas áreas da Oceania é parasito encontrado em abundância nos exames parasitológicos realizados de rotina, provavelmente relacionado com transmissão entre homens e porcos, sendo muito discutida a possibilidade de transmissão de E. polecki de homem para homem. Alguns casos sintomáticos foram atribuídos a este protozoário e obtiveram melhora após o tratamento, mas o assunto ainda é discutido. Casos foram acompanhados durante vários anos e não foram relatados sintomas. Já, em outras situações, houve sucesso dos sintomas associado com tratamento e erradicação do parasito. Metronidazol utilizado por via oral da dose de 500 mg três vezes ao dia durante dez dia apresenta sucesso. Os casos devem ser bem avaliados antes de considerar o tratamento.


 

Enteromonas hominis

É um pequeno flagelado raramente encontrado em humanos. Mede entre 4 a 10 mm de comprimento, ovalado com três flagelos anteriores e um flagelo posterior. Apresenta cistos com 6 a 8 mm de diâmetro. Não é patogênico para o homem e é geralmente encontrado no intestino grosso como comensal.


 

 

Iodamoeba butschlii

 

Trata-se de amebas comumente encontradas em porcos, mas podem ser encontradas em fezes humanas e de primatas. Os trofozoítos têm grande variação de tamanho (6 a 20 mm) e os cistos são ovóides ou irregularmente piriformes, medindo entre 8 e 15mm em diâmetro. Em colorações por iodo, evidenciam-se vacúolos grandes, densos que contêm glicogênio. Não são patogênicas. É importante relatarmos aqui que dois casos de infecção do sistema nervoso central foram atribuídos por Iodamoeba. Posteriormente, verificou-se que os casos tratavam-se de infecções por outras amebas de vida livre, Naegleria e Acanthamoeba, uma em cada caso.


 

Retortamonas intestinalis

 

Retortamonas intestinalis é outro flagelado raramente encontrado em humanos. Mede entre 4 a 10 mm de comprimento com dois flagelos anteriores. Apresenta cistos com 4 a 7 mm de diâmetro. Não é patogênico para o homem e é geralmente encontrado no intestino grosso como comensal. Também é encontrado em outros primatas não domesticados.


 

 

Trichomonas hominis

Este protozoário flagelado mede entre 7 a 15 mm de comprimento, move-se rapidamente, habita o intestino e não produz cistos. Sua rapidez de movimentos dificulta a visualização. Apresenta 4 flagelos anteriores e um flagelo recorrente que se origina anteriormente e percorre todo o corpo até a porção posterior, formando uma membrana. Existem poucas evidências que este agente seja patogênico para o homem.


 

Trichomonas tenax

T. tenax apresenta características estruturais mais semelhantes a T. vaginalis que a T. hominis. Este protozoário flagelado também tem sido chamado de T. buccalis. Mede entre 6 a 10 mm de comprimento, e como E. gingivalis é encontrado na cavidade oral, principalmente relacionado com doença periodontal. Existem poucas evidências que este agente seja patogênico para o homem.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Bibliografia:

  1. AMATO-NETO, V. ; AMATO, V. S. ; GRYSCHEK, R. C. ; TUON FF . Parasitologia - Uma abordagem clínica. 1. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008. 400 p.
  2. CHEFFI, P.P.; GRYSCHEK, R.C.B. & AMATO NETO, V. - Parasitoses Intestinais- diagnóstico e tratamento. 2001. Lemos editorial. São Paulo.

 

Autor Responsável: Felipe F. Tuon

 

 


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