Candida

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Microorganismo: Candida spp.


Microbiologia: fungo leveduriforme com pseudo-hifas que cresce em diversos meios de cultura. Cresce de forma mais rápida em meios de hemocultura automatizada. As hifas e pseudo-has são melhores visualizadas com hidróxido de potassio 10%, além de ser corado pela técnica de Gram. A identificação de Candida albicans, a espécie mais comum, é facilitada pela presença de uma pequena projeção (tubo germinativo) quando colocada em soro por 90 minutos. Existem mais de 150 espécies de Candida, sendo as mais frequentes em humanos: C. albicans, C. guilliermondii, C. krusei, C. parapsilosis, C. tropicalis, C. pseudotropicalis, C. lusitaniae, C. dubliniensis e  C. glabrata. Usando um método comercial (API Yeast 20C) é possivel a identificação destas espécies através da fermentação de açúcares e testes de assimilação de nutrientes.


Reservatório: C. albicans pode ser encontrada no solo, animais incluindo o homem, objetos inanimados. As demais espécies tambem podem viver em diferentes ambientes. Modo de transmissão: contato direto e pode fazer parte da microbiota em diversas mucosas.


Período de incubação: Indeterminado.


Doença(s) que causa: mucosite em cavidade oral, esofagite, candidemia, vaginose, balanopostite, foliculite, intertrigo, onicomicose, dermatite associada ao uso de fraldas em crianças, candidiase mucocutanea cronica, endocardite, meningite e abscesso cerebral, endoftalmite, cistite, e outras formas disseminadas da doença. Pode causar quadro pulmonar (candidiase pulmonar) em pacientes submetidos a transplante de órgãos, principalmente de medula óssea.


Introdução: As doenças causadas pela Candida são extremamente variadas, podendo ser localizada ou disseminada, de acordo com as características do paciente.


Epidemiologia: Cosmopolita e faz parte da microbiota humana. Causa doença invasiva em imunocomprometidos e com dispositivos invasivos, principalmente em unidades de terapia intensiva. A maioria das infecções são causadas pela C.albicans, mas as espécies não-albicans apresentam prevalência crescente nas unidades hospitalares em que o uso de azólicos de forma profilática ou terapêutica é freqüente. Este fungo é frequentemente isolado em diversos materiais colhidos de pacientes graves, mas a importância como infecção é pequena. Porém, este fungo pode interagir com bactérias, inclusive com mudança da resposta imune local, favorecendo o aparecimento de infecções bacterianas, principalmente no pulmão (Peleg 2010, Roux 2009). Tanto isso é possível, que já está descrita a maior mortalidade em pacientes com colonização das vias respisratórias por Candida (Halmet 2012), lembrando que Candida raramente causa pneumonia (Meersseman 2009). 


Quadro clínico: Depende da forma clínica da doença. A mucosite apresenta-se com placas esbranquiçadas em cavidade oral, podendo acometer até a orofaringe. A esofagite por Candida espressa-se com quadro de disfagia e odinofagia, dor retroesternal. O quadro clínico da vaginose por Candida apresenta-se com prurido vaginal, corrimento esbranquiçado e edema com hiperemia vaginal. A balanopostite causa prurido inportante na regiao da glande, com edema, hiperemia e pode apresentar secreção esbranquiçada. A candidemia está presente em paciente de unidades de terapia intensiva e imunocomprometidos. O quadro clínico é de febre, geralmente após uso de antibióticos, procedimentos invasivos, presença de cateter venoso central, nutrição parenteral, a candidúria pode ter fator preditivo para candidemia na presença dos fatores de risco citados.


Complicações: a candidemia por evoluir com osteomielite, abscessos hepáticos e endocardite


Diagnóstico e exames laboratoriais: O diagnóstico da candidiase oral é feito através do quadro clínico com cultura da lesão. É importante lembrar que a cultura pode vir positiva na cavidade oral sem a presença de doença por fazer parte da microbiota. O diagnóstico da candidiase esofágica baseia-se na presença de placas esbranquiçadas visualizadas pela endoscopia e cultura por biópsia das lesões. O diagnóstico da candidiase vaginal é feito pele exame clínico e visualização do fungo no exame direto. O diagnóstico da candidemia é feito com hemocultura, podendo também utilzar métodos moleculares por reação em cadeia da polimerase e pesquisa seriada de antígenos e anticorpos. O quadro de candidiase pulmonar apresenta-se geralmente com nódulos bilaterias, podendo tambem apresentar-se com sinal de halo (parecido com a aspergilose invasiva) e vidro fosco (Franquet T 2006) (Franquer T 2004).


Tratamento: A candidemia apresenta alta mortalidade quando diagnosticada tardiamente, por este motivos existem escores para auxiliar o médico na prescriçao de antifungicos antes do diagnóstico definitivo. Para este escore conta-se nutrição parenteral (1 ponto), cirurgia (1 ponto), colonização por em pelo menos dois sítios (1 ponto) e quadro de sepse grave (2 pontos). Um escore superior a 2,5 indica início de tratamento específico. O tratamento de escolha para candidemia são as equinocandinas, seguido por fluconazol ou anfotericina B. As equinocandinas apresentam resposta terapeutica semelhante aos demais antifúngicos, mas tem maior espectro para outras espécies de Candida além da C. albicans, além de apresentar menor efeitos adversos que a anfotericina. As equnocandinas disponíveis no mercado são caspofungina 70mg no primeiro dia e 50mg nos demais, e anidulafungina 200mg no primeiro dia e 100mg nos demais ou micafungina 100mg ao dia. O tratamento dura 14 dias após uma hemocultura negativa. O tratamento da candidiase oral é feito com nistatina 400.000 a 600.000 U 4 vezes ao dia com bochecho da solução ou com fluconazol (VO) 100 a 200mg ao dia por 5 dias. Candidíase esofágica é tratada com fluconazol (VO) 200mg ao dia por 14 dias ou com anfotericina e equinocandinas nas populações com cândida não- albicans. A vaginose pode ser tratada com fluconazol 150mg oral em dose única ou com creme vaginal de miconazol diário por 7 dias. Vigilância epidemiológica: Não é doença de notificação compulsória.


Medidas de controle: Antifúngicos em paciente imunocomprometidos (neutropenia e transplante de medula óssea, assim como em alguns transplantes de órgaos sólidos). Em pacientes na unidade de terapia intensiva, a profilaxia pode ser empregada em pacientes com determinados riscos, geralmente utilizando a dose de 400mg de fluconazol IV 24/24h.


Bibliografia:


Autor Responsável: Felipe Tuon

Revisor: Paula Toledo

 

 


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