Brucella spp

Agente Etiológico

Brucella é um gênero de bactérias Gram-negativas, não capsuladas, não esporuladas, em forma de cocobacilo. São aeróbios e apresentam diferentes biovariantes, que são reconhecidos pelas características bioquímicas. As espécies são diferentes de acordo com o animal reservatório. Brucella melitensis é a principal espécie que causa doença em humanos, cujos reservatórios são ovelhas e cabras, embora camelos possam ser reservatório em áreas específicas. Brucella abortus é mais comum em bovinos, mas também em outros animais relacionados, como búfalo, camelos e bisão. 

Quadro Clínico

A brucelose é uma zoonose, sendo que o homem é raramente acometido. Os casos de brucelose são principalmente descritos na África, América Central, península arábica e Ásia. A brucelose pode ser transmitida através de contato direto por secreções se houver uma porta de entrada (ferimento da pele), inalação de aerossóis contaminados e ingestão de derivados de leite não pasteurizado. Formas menos habituais de transmissão são por via sexual quando ocorrem lesões nesta região, através de ingestão de sangue ou carne crua de animais infectados.  A Brucella pode ser transmitida ainda por órgãos transplantados, incluindo medula óssea.

O quadro clínico da brucelose é muito variável. No início da infecção aparecem sintomas inespecíficos como febre com sudorese noturna, mal estar, anorexia, cefaléia e mialgia, imitanto um quadro de neoplasia ou tuberculose. Os sintomas podem ser insidiosos ou abruptos, geralmente iniciando-se após 4 semanas da aquisição da bactéria. A velocidade e a intensidade do quadro clínico podem variar de acordo com a imunidade do paciente, assim como a quantidade de inócuo. A partir destes sintomas a doença pode apresentar sintomas localizados conforme um órgão mais acometido ou permanecer como um quadro inflamatório crônico. Hepatoesplenomegalia e linfadenopatia generalizada podem ocorrer em aproximadamente 20% dos casos. Sintomas gastrintestinais como diarréia ou constipação e dor abdominal ocorrem em até 70%, podendo até mesmo causar ileíte regional.  Outros sintomas como náusea e vômitos podem ocorrer secundariamente a hepatite, que pode aumentar transaminases, mas de forma branda. Em alguns casos pode ocorrer formação de abscessos no fígado ou baço secundário ao processo granulomatoso.

Dentre as formas localizadas da brucelose a que mais merece destaque é a osteomielite. Os ossos mais acometidos são os ossos chatos da coluna vertebral e bacia, como a sacroileíte. Podem ocorrer complicações neurológicas por compressão e formação de abscessos e mesmo psoíte.

Outras formas da brucelose são quadros neurológicos localizados (abscessos) ou meningoencefalite. No sistema circulatório pode causar endocardite, pericardite e aneurismas micóticos. Além disso os pacientes podem apresentar citopenias diversas, lesões cutâneas, uveíte e quadros pulmonares (quando a doença é adquirida por via inalatória).

Diagnóstico

O diagnostico definitivo se faz com a identificação de Brucella em hemocultura, medula óssea e outros tecidos ou líquidos. A positividade das amostras varia conforme o método usado.  Nos métodos automatizados pode ocorrer identificação de outras espécies bacterianas que não Brucella, devendo o laboratório saber que a amostra foi enviada com a possibilidade de brucelose como etiologia. Quando as culturas são negativas ou não há possibilidade de coleta de material, a pesquisa de anticorpos pode contribuir para o diagnóstico, uma vez que a exposição a bactéria é pequena. O método de ELISA é o mais utilizado e apresenta melhor performance. 

DIagnóstico Diferencial

Os diagnósticos diferenciais da brucelose são muitos devido ao polimorfismo da doença. A principal dificuldade é descartar tuberculose e neoplasias.  Além disso, síndromes de hepatomegalia febril, incluindo mono-like entram como diagnósticos diferenciais. Infecção pelo HIV, osteomielite crônica bacteriana e endocardite também são diagnósticos diferenciais.

Profilaxia e Tratamento

Existem diversas drogas que apresentam espectro de ação contra Brucella. Porém, os testes de sucetibilidade não são confiáveis e existe falha em tratamentos com uso de apenas uma medicação. Devido a capacidade desta bactéria permanecer no intracelular, devemos lembrar de prescrever antibióticos que tenham penetração intracelular. Entre estas drogas estão o grupo das tetraciclinas, principalmente a doxiciclina 100mg 12/12h. Como a monoterapia pode apresentar falha, associa-se gentamicina 5mg/kg/dia por 7 dias e mantem então a doxiciclina por mais 6 semanas nos casos menos graves. Uma alternativa aos aminoglicosídeos é a rifampicina. Entre outras opções temos sulfametoxazol/trimetoprim e quinolonas (ex.: ciprofloxacino).

Quadro sistêmico

Doxiciclina 100mg (VO) 12/12 + rifampicina 300mg (VO) 12/12h

21 dias

Neurobrucelose

Sulfametoxazol/trimetoprim 20mg/kg/dia

 + rifampicina 300mg (VO) 12/12h + criprofloxacino 500mg (VO) 12/12h

42 dias

Endocardite

Doxiciclina 100mg (VO) 12/12 + rifampicina 300mg (VO) 12/12h + criprofloxacino 500mg (VO) 12/12h

42 dias

A prevenção da doença baseia-se no tratamento das infecções em animais para diminuir a transmissão para humanos. 

 


Visualizações de Conteúdo : 1029662